Bem-vindo ao Resiliência Verde
Durante anos vivi numa prisão que nem sequer conseguia ver. Passei a vida a tentar agradar os outros, a moldar-me às expectativas, a esquecer-me de quem eu era. Fui um bom aluno do sistema: acreditava que não me diziam, seguia o caminho que me mostrava, consumia o que me vendiam. Até que bati no fundo. E foi lá, nesse lugar escuro onde tudo parece perdido, que encontrei a verdade mais simples e devastadora: as únicas pessoas que realmente estavam ao meu lado eram os meus pais e o meu irmão. Não as centenas de "amigos" das redes sociais. Não os colegas de sempre. Não o sistema que promete cuidar de nós. Foi nesse momento de queda que comecei a ver as notas, as prisões invisíveis que me controlavam sem que eu desse por isso.
Vivemos numa época estranha. Somos livres porque podemos escolher entre mil produtos, mil opiniões, mil caminhos. Mas será que escolhemos mesmo? Ou estamos apenas a selecionar entre as opções que nos dão? As redes sociais nos transformaram em produtos. Vendemos a nossa atenção, os nossos dados, a nossa intimidade em troca de likes e validação. Tornámo-nos escravos da aprovação alheia, prisioneiros de uma performance constante de felicidade. Os meios de comunicação dizem-nos o que pensar, o que temer, o que desejar. Criamos narrativas que aceitamos como verdade absoluta. E nós, cansados, estressados, ocupados demais para questionar, engolimos tudo sem mastigar. Mas a prisão mais sutil de todas é esta: esquecemos-nos da natureza.
A natureza é o princípio da vida. É o que existia antes de todas as estruturas, antes de todos os sistemas de controlo. E continua lá, resiliente, a crescer nas fendas do betão, a romper o asfalto, a lembrar-nos que há algo mais forte do que todas as notas que construíram à nossa volta. O verde deste blog não é apenas uma cor. É um símbolo de resistência. É a prova de que a vida encontra sempre forma de se libertar.
Este não é um blog de respostas simples ou de teorias da conspiração. É um espaço de reflexão honesto sobre as formas subtis de como somos controlados. Vou compartilhar minhas experiências de despertar, os padrões de manipulação que vejo no cotidiano, as prisões invisíveis que descobri e que ainda estou a descobrir, e caminhos práticos de resistência e libertação. Quero tanto falar para quem já desconfia que algo está errado, como para quem ainda está a dormir o sono tranquilo de quem acredita em tudo o que eles dizem. Não venho julgar ninguém, eu próprio fui esse adornado durante anos.
Se sentir que algo não bate certo no mundo em que vivemos, se às vezes tens a sensação de que estás a viver a vida de outra pessoa, já te questionas sobre toda esta correria, todo este consumo, toda esta ansiedade, será que fazem realmente sentido, bem-vindo. Este espaço também é teu. Vamos quebrar essas notas juntos. Não com violência, mas com consciência. Não com desespero, mas com a mesma resiliência teimosa da erva que cresce entre as pedras. Porque, no final, a única prisão real, impossível de quebrar, é aquela que não consegui ver.
"A natureza não se apressa, mas tudo se realiza." - Lao Tsé