O Sabor que Esquecemos: Quando as Tradições Morrem em Silêncio

Aos 53 anos, ainda consigo sentir o cheiro. Não é uma memória visual, é olfativa, visceral. O cheiro do pão a cozer no forno a lenha da minha avó. Aquele aroma denso que invade uma casa toda, que se misturava com o fumo da madeira e com algo mais antigo, algo que não tem nome mas que teve casa , pertença , raízes . Hoje, quando passo pela padaria industrial do centro comercial, sinto um cheiro qualquer a pão. Mas não é o mesmo. Nunca será. E foi aí que essa diferença entre o pão da minha avó e o pão embalado em plástico, que comecei a perceber: estamos a perder algo fundamental. Não estamos apenas a perder receitas ou técnicas. Estamos a perder uma linguagem inteira de ser humano.

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Afinal, o que é realmente nosso?

Foi no silêncio, numa conversa comigo mesmo, que a pergunta surgiu. Não foi dramático, não veio acompanhado de música épica ou de uma epifania cinematográfica. Foi simplesmente isto: "Afinal, o que é que eu tenho?"

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